03 · Cultural · Requalificação Industrial
Conceito
O armazém de 1938 em Pinheiros havia passado por quatro décadas de abandono quando chegou até o escritório. O tombamento estadual protegia a estrutura metálica e a fachada de tijolos — tudo o mais era decisão de projeto. A questão central não era o que preservar, mas o que inserir.
A resposta foi um programa múltiplo e intencionalmente conflitante: galeria de arte contemporânea (1.200m²), cinema de 180 lugares, biblioteca especializada em arquitetura e design, e restaurante no nível superior. Esses quatro programas convivem em um único volume sem divisórias fixas — a separação é criada por desnível, por material e por luz, não por paredes.
A estrutura metálica original foi exposta e pintada de preto, criando contraste com a inserção contemporânea: uma caixa de concreto branco que flutua no centro do armazém, suspensa por tirantes de aço, abrigando o cinema. Vista de fora, o armazém não mudou. Vista de dentro, é outro século.