Conceito
O interior que se recusa a terminar na esquadria
A Cobertura Higienópolis ocupava dois andares superiores de um edifício dos anos 1970, com estrutura conservada mas planta compartimentada que desperdiçava a posição privilegiada — vista desimpedida em 360° sobre os bairros mais arborizados de São Paulo. O projeto começou pela pergunta errada de todos os projetos de cobertura: onde fica a piscina?
A piscina ficou suspensa, elevada 1,2m do nível do piso, alinhada com o parapeito. Do interior, a lâmina d'água desaparece no horizonte — o efeito de borda infinita não é truque, é consequência de uma decisão estrutural que integrou o reservatório à laje de cobertura. O sistema hidráulico foi inteiramente embutido.
Internamente, a compartimentação foi substituída por um volume único que só se subdivide por mobiliário desenhado em marcenaria: a estante que separa o home office da sala de jantar, o painel de pedra que define a suíte sem uma parede. Concreto polido no piso, mármore Nero Marquina nos volumes fixos — contraste que ancora sem pesar.